DOCE NOSTALGIA por Juliana Yume

17:43


São pouquíssimas coisas que emocionam-me ao ponto de me fazerem chorar. Músicas, filmes, livros, por exemplo, mesmo que sejam deveras tristes, dificilmente irão provocar-me lágrimas. Porém, devo confessar que tenho um ponto fraco: fotografias antigas. Até alguns anos atrás, era impossível para mim, folhear algum álbum de minha infância sem que as lágrimas escorressem de meus olhos. Hoje em dia isso mudou, e eu consigo me controlar, entretanto, admito que aquelas fotos ainda emocionam-me muito.
No começo eu não sabia dizer o motivo exato daquilo tocar-me tão profundamente. Afinal, eram recordações de momentos felizes, e eu nunca fui de chorar de felicidade, por maior que seja ela. Tudo o que eu conseguia explicar era que ao olhar aquelas fotos, sentia um aperto muito grande em meu peito.
Creio que agora já posso identificar o que sentia. Era – e ainda é – mais do que mera saudade ou nostalgia. Era a tristeza ao relembrar um tipo de felicidade que eu nunca mais sentirei. Você me entende? Aquela felicidade após passar o dia todo brincando de Barbie, subindo em árvores, sujando-me e rindo. Não entenda-me mal, a minha vida é plenamente feliz, e sei que continuará assim. No entanto, momentos como aquele não irão se repetir em hipótese alguma.
Sinto falta de quem eu era quando menor. Queria ser capaz de recuperar a mentalidade que tinha naquela época, a simplicidade de tudo. Porém, não me deixarei levar pela melancolia de querer voltar no tempo.  Boas lembranças não devem ter o intuito de nos deprimir, mas sim de lembrar-nos o quanto fomos felizes.
Sei que daqui a alguns anos terei o mesmo sentimento de saudade pela pessoa que sou agora.  E o fato é esse, estamos em constante mudança, e talvez amanhã mesmo eu sinta falta do que sou hoje. Assim como sinto falta de todas as grandes emoções que a vida já me proporcionou.  Às vezes é justamente isso, sentimos falta das sensações que presenciamos naquele momento, e não o acontecimento em si.
Apenas irei alertar para que tomemos certos cuidados:  Recordar é sempre bom, contudo, idealizar o passado como uma época perfeita e sem comparações provavelmente lhe fará mal. Algumas pessoas prendem-se tanto a determinadas lembranças que passam a acreditar que nunca nada irá supera-las, e desse modo acabam tornando-se frustradas e melancólicas. Sabe, não devemos esquecer que sempre haverá um amanhã, um sol nascendo no horizonte só para lembrar-te que ainda dá tempo de ser melhor. A direção da vida é apenas uma. E como diz o ditado, quem vive de passado é museu.

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